quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A seca e a agricultura familiar


Por Dr. Evandro Borges via Jornal Metropolitando

Este é o terceiro texto da coluna semanal no Potiguar Notícias que falamos sobre a seca que chega ao seu quinto ano conforme as previsões dos meteorologistas, mesmo com as chuvas iniciais que praticamente está atingindo todo o mês de janeiro ao ano que começou, caíram de forma generosa nos torrões queimados e com vegetação contorcida, e que torna o verde de modo esplendoroso por toda parte, enchendo cacimbas e açudes, fazendo alegrar os camponeses.

Em que pese estes quatros anos contínuos de estiagem não se vê mais os saques das feiras por famintos, dos flagelos da fome e da sede, exposto em verso e prosa, da definição do fenômeno social que provocava o êxodo sem precedentes de famílias de retirantes, em busca de uma saída para as agruras da vida do sertanejo do bioma da caatinga.

Agora há um novo conceito, da agricultura familiar, diferente da agricultura de subsistência, que precisa ser esclarecido e que torna o campo diferente, sendo mais uma dimensão, que vem contribuindo para a convivência com semiárido, e vem tornando uma luta constante, pela as ações da reforma agrária, pelo crédito diferenciado, e capitaneado incialmente pelo movimento sindical dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, e hoje, por todas as organizações que trabalham no campo ao lado do homem e da mulher camponesa.

A agricultura familiar precisa de terra, portanto, das ações da reforma agrária, ela não se firma no minifúndio, no trabalho isolado, no trabalho de apenas mil ou três mil covas, que presta, apenas, no curto período de chuvas e sem regularidade, para aproveitar para fazer uma segurança alimentar, e vender a qualquer preço o pequeno excedente, principalmente da produção de milho e feijão.

A agricultura familiar é aquela que mantém crédito para a produção, para o custeio, para a colheita, que maneja as culturas com as chuvas e com irrigação quando necessário, com armazenagem, com adequação ao meio, e respeito ao meio ambiente, com assistência técnica permanente, com extensão, consorciando culturas, utiliza a força de trabalho da família,  conhece as cadeias produtivas, e comercializam individualmente ou coletivamente, e com programas e políticas públicas permanente.

A agricultura familiar desejada não tem vínculos e nem dependência com os coronéis e latifundiários, ou uma relação de favores, de supostos protegidos, de apadrinhamentos dos políticos de plantão, mas, de independência, de acesso a terra como proprietário, do beneficiamento pela água, no caso do Nordeste, mesmo pouca e irregular, mas garantido para o consumo humano.                                  

Esta agricultura familiar que se constrói, mesmo com as dificuldades da saúde pública, da fragilidade da educação formal no meio rural, e da quase ausência de uma formação técnica especializada, de ganhos ainda reduzidos, mas, vem sendo um dos componentes para modificar o fenômeno social da estiagem.
fonte do blog de jocelino dantas