terça-feira, 30 de agosto de 2016

Direito de permanecer na Universidade, no campo e contribuir com a construção de um Brasil de todas(os)!





FOTO: Arquivo pessoal



Milhares de pessoas do Brasil e do mundo chegaram à Brasília para defender a democracia. Vieram mostrar resistência ao golpe, que o povo permanece na rua e que não concorda com o processo de impeachment. No meio dessa multidão estão os(as) egressos(as) da 2ª Turma Especial de Direito voltada para beneficiários(as) da Reforma Agrária e Agricultores(as) Familiares, do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que percorreram aproximadamente 300 km da Cidade do Goiás à Brasília, para defender a educação do campo, conquistada nos Governos Lula e Dilma, para pedir a volta da presidenta eleita democraticamente e dizer não à permanência de Michel Temer, a quem elas e eles chamam de golpista.



“Estamos aqui como acadêmicos(as), mas, sobretudo, como militantes das causas sociais camponesas. Nós entendemos que todo cenário que se aponta poderá ter complicações sérias no campo da educação, seja urbana ou rural, e em especial à educação do campo em nível superior para filhos(as) de camponeses(as), agricultores(as) familiares, assentados(as) da reforma agrária, visto que este povo que tem assumido o comando do Brasil, quer cecear o nosso direito de acessar processos de formação, educação e transformação da sociedade. Por tanto, nós sabemos que têm ameaças evidentes ao nosso Curso, mas nós estamos prontos para resistir e garantir a continuação deste e de outros Cursos Superiores para o meio rural, pois educação do campo não é esmola, é um direito nosso, que o Estado deve cumprir”, afirma em tom forte o educando da 2ª turma de Direito da UFG, que também é vice-presidente e secretário de Relações Internacionais da CONTAG, Willian Clementino Matias.

Do interior do Pernambuco, Ananda Natiele da Silva Nunes é uma das estudantes da turma que engrossa a fileira de resistentes presentes no acampamento em defesa da democracia. Com os olhos cheios de lágrimas e voz embargada, ela revela a dor de acompanhar a primeira presidenta eleita, através do voto popular, ser afastada de uma forma tão machista.

“É assustador como o machismo dentro da política age, porque a presidenta Dilma, honesta e que nunca se envolveu com um caso de corrupção, hoje é julgada por um processo de impeachment machista. As ofensas que a gente pôde acompanhar no período do processo do impeachment, não são só pela discordância do seu trabalho, mas principalmente para reduzir a figura da mulher. Então a ofensa a Presidenta é uma ofensa a mim, porque eu como mulher não posso aceitar que alguém ofenda uma mulher só por ser mulher”, afirma a estudante.

De rosto cansado, com um olhar de quem procura respostas para o atual cenário político no País, a educanda Edjane que é assentada da reforma agrária do interior do Tocantins, desabafa seu medo do Curso parar, se for confirmado o golpe no Brasil.

“Nosso futuro acadêmico é incerto, porque na verdade a gente vai para casa agora e não sabe se volta, pois com o governo golpista que tá aí, não sabemos se ele vai manter o nosso Curso. Já temos toda a luta do dia a dia que já faz parte da nossa vida e mais essa agora da manutenção do Curso... É muito preocupante, estamos sempre a margem de tudo, de educação, de direitos”.



Apesar da revolta e incertezas, os(as) acadêmicos(as) da 2ª turma de Direito pelo Pronera da UFG, afirmam que seguirão resistindo aos golpes que se dão no Brasil nas mais variadas áreas.

“Primeiramente, fora temer! Depois compreendemos que a educação do campo é uma política garantida pela luta dos trabalhadores(as) e que os nossos direitos estão ameaçados com o golpe que está em curso no Brasil, implantado pela Direita, que é formada basicamente pela classe dominante, que não deseja olhar os camponeses(as) estudando. A luta contra o retrocesso de direitos vai continuar com a participação dos acadêmicos(as) na vida política, com a compreensão que a educação do campo é garantida na luta do dia a dia, na Universidade e nas ruas” afirma otimista o educando Antônio Marcos Nunes Bandeira.



FONTE: Assessoria de Comunicação CONTAG - Barack Fernandes