sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

PF investiga elo entre Henrique Alves, Eduardo Cunha e ex-presidente da OAS

Foto: G1



Na série de mensagens trocadas entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro, de 2012 a 2014, o deputado aparece, em várias ocasiões, pedindo ao empreiteiro repasse de dinheiro para o atual ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

As mensagens trocadas entre os dois foram apreendidas no celular do ex-dirigente da empreiteira e fazem parte das investigações da Operação Lava Jato, na qual Cunha foi denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por suposto envolvimento no esquema de corrupção que atuava na Petrobras.

A íntegra das mensagens, que consta em relatório da Polícia Federal (PF), foi revelada na edição desta sexta-feira (8) do jornal "O Globo" e confirmada pela TV Globo.

Em nota, Cunha disse que "jamais recebeu qualquer vantagem indevida de quem quer que seja" e desafiou a provarem o contrário

Também em nota, Henrique Eduardo Alves ressaltou que as doações que recebeu da OAS foram legais e estão disponíveis no site do TSE (leia mais ao final desta reportagem).

Em uma das conversas, registrada em 14 de agosto de 2012, Cunha usa de ironia para se queixar ao empreiteiro que não recebeu um repasse de dinheiro.

Na mensagem, ele menciona o nome "Henrique", que os investigadores acreditam se tratar do atual ministro do Turismo, que presidiu a Câmara entre 2013 e 2014.

“Vc resolveu só metade Henrique ontem, esqueceu de mim? Rsrs”, escreveu Eduardo Cunha.

Já no dia 11 de setembro de 2012, Cunha volta a citar o nome "Henrique" em outra mensagem. “Na programação sua Henrique e minha estaria ontem completando 500 que não foi feito. Mudou algo? “Não entrou e era programado para ontem”.

Logo depois, o empresário nega que a programação tenha sido alterada e Cunha rebate: "Não entrou e era programado para ontem."

Em outra mensagem, datada de 15 de outubro de 2012, o presidente da Câmara volta a cobrar Léo Pinheiro sobre um suposto repasse de doação a "Henrique", apontado pela PF como sendo o atual ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves.

"Assunto Henrique não entrou no partido hj, e pelo feriado?", questiona Cunha. "Sim. Será feito amanhã. Avisa por favor a HA", respondeu um dia depois o ex-presidente da OAS.

Câmara
Durante a troca de mensagens entre Cunha e Léo Pinheiro, os dois celebram a eleição do atual presidente da Câmara para o cargo de líder do PMDB na Casa em 2013.

Em uma mensagem, enviada em 3 de fevereiro de 2013, Pinheiro parabeniza o peemedebista pela vitória na eleição.

"Parabéns. Vitória de um guerreiro competente. Abs", disse o empresário. Um dia depois, o próprio Léo Pinheiro avisa a interlocutores, não identificados no relatório da Polícia Federal, que Henrique Eduardo Alves havia vencido a eleição para a presidência da Câmara. "Henrique eleito", diz a mensagem.

Em outra mensagem, esta enviada 15 de outubro de 2014, Cunha cobra uma "solução" de Léo Pinheiro para Henrique, no que parece ser o repasse de doações para o atual ministro do Turismo.

Logo depois, ainda no dia 15, Léo envia mensagem para interlocutores, preocupado com uma suposta mudança de postura de Henrique Alves. Segundo a PF, a sigla EC era utilizada pelo empresário para se referir a Eduardo Cunha

“Caixão e vela. EC me disse ontem que a coisa estava preta. O HA estava ontem em bsb dizendo que ia Mineirar. PUTO com Lulinha pelo apoio ao Robson”, disse Léo Pinheiro na ocasião.

Em outubro de 2014, Henrique Alves disputada a eleição para governador do Rio Grande do Norte. Ele acabou derrotado pelo candidato Robinson Faria, do PSD, que recebeu o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Temer
Em um dos diálogos interceptados pela Polícia Federal, de 29 de agosto de 2014, Eduardo Cunha reclama com o empreiteiro sobre o fato de ele ter depositado "5 paus" diretamente para o Michel, referindo-se supostamente ao vice-presidente da República, Michel Temer.

Na conversa, o presidente da Câmara também menciona o nome do ex-ministro da Aviação Civil Moreira Franco – um dos aliados mais próximos do vice-presidente – e dos ex-deputados do PMDB Henrique Eduardo Alves (atual ministro do Turismo) e Geddel Vieira Lima.

"E vc ter feito 5 paus para MICHEL direto de uma vez antes. Todos souberam e dá barulho sem resolver os amigos", escreveu Cunha.

"Até porque Moreira tem mais rapidez depois de prejudicar vcs do que os amigos que brigaram com ele por vc, entende a lógica da turma? Aí inclui Henrique, Geddel, etc", complementou.

Na resposta, Léo Pinheiro fez um alerta: "Cuidado com sua análise. Lhe mostro pessoalmente a qte de amigos!!!!!!", enfatizou.

Por fim, o deputado do PMDB disse que outros colegas de partido estavam "chateados" com o depósito que havia sido feito para Temer.

"Eles tão chateados porque Moreira conseguiu de vc para Michel 5 paus e vc já depositou inteiro e eles que brigaram com Moreira vc adia e isso", queixou-se o presidente da Câmara.

O que disseram os citados nas mensagens
Em nota divulgada pela assessoria de imprensa da Câmara, Eduardo Cunha disse lamentar o que ele chamou de "vazamento seletivo de dados protegidos por sigilos legal e fiscal que deveriam estar sob guarda de órgão do governo".

À GloboNews, a assessoria da OAS afirmou que a construtora não teve acesso às mensagens e informou que só se manifestará nos autos do processo.

Em nota divulgada por sua assessoria, Henrique Eduardo Alves também ressaltou que as doações que ele recebeu da OAS foram legais e estão disponíveis no site do TSE.

"Todas as doações para a campanha de Henrique Eduardo Alves ao Governo do Rio Grande do Norte foram legais e estão disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral, como determina a lei. Henrique Alves refuta qualquer ilação baseada em premissas equivocadas ou interpretações absurdas. Vale destacar que as empresas citadas fizeram doações para campanhas de diversos partidos Brasil afora."

A assessoria de Michel Temer informou que todas as doações que ele recebeu foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo o vice, não há irregularidade nas doações.

Moreira Franco afirmou à GloboNews que "todas as contribuições à campanha eleitoral do vice-presidente foram realizadas respeitando a legislação eleitoral em rigor e encaminhadas por intermédio dos canais competentes".

Geddel Vieira Lima afirmou que sempre foi amigo de Léo Pinheiro porque ele era empresário. O ex-deputado do PMDB disse ainda que "nunca precisou de intermediário para ter dinheiro de campanha". De acordo com ele, Eduardo Cunha é que tem que responder pelas mensagens trocadas com o ex-presidente da OAS na qual ele é citado.
fonte do site mossoro hoje